Ela era tóxica. Pras pessoas que a cercavam e pra ela mesma.
Sentia dor, muita dor, sentia dor por sentir dor, sentia dor por menosprezar a sua própria dor, mas sentia.
Não conseguia mais fingir para os outros que estava bem e nem pra ela mesma.
Se sentia patética.
Observava as dores do mundo e via o quanto parecia ser pequena a sua, mas sentia.
Fazia uma espécie de auto-regressão, puxava pela memória, comia teorias de Freud e achava muitos motivos, percebera que nesse momento não vivia mais numa Matrix.
Devorava potes de Nutella como se estivesse comendo papa, apática.
Lembrava que nesse momento muitas pessoas não tinham o que comer, se envergonhava, mas a dor não ia embora.
Encontrava espaço pra falar de sua dor com algumas pessoas, mas ao final se frustrava, porque ninguém compreendia, talvez nem ela mesma, mas sentia.
''Vilanizava'' o tempo.
''Vilanizava'' a historia.
''Vilanizava'' a vida.
''Vilanizava'' a si.
Contaminava a si e as pessoas.
Estava pessimista, cercada de pensamentos auto-destrutivos, sentia e escrevia.
Tinha vergonha.
Caos e dor, muita dor.
Ela queria ser simples, apreciar as pequenas coisas, estar a passeio.
Ela era complexa, estava apática e em guerra.
Ela se odiava e odiava a vida.
Não via graça mais em nada, mas temia a morte.
Ainda bem.
Tomava remédio, dormia, não esquecia, também não lembrava, mas sentia.
Sentia que se subisse as pirâmides do Egito ao chegar no topo diria:
- E agora e daí?
Não encontrava sentido, só sabia que não sabia e queria saber.
Ela era tóxica.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Não é só talento
Diariamente recebo muitas mensagens de muitos jovens(wow, falou a velha) me perguntando sobre atuação, perguntando sobre minha carreira, me pedindo dicas, comentando sobre o curso que estão fazendo, ou só curiosos mesmo. Bem, não sou nenhuma Meryl Streep, mas adianto que concordo com praticamente 100% do que ela diz e acho que sua forma de pensar é que a fez se tornar uma grande atriz. Hoje li um texto com palavras dela falando sobre coisas que ela não tem mais paciência e copio aqui a frase que me chamou atenção ''Acredito num mundo de opostos e por isso evito pessoas de carácter rígido e inflexível'', ao longo da minha experiência no ramo descobri que essa é maior característica que um ator deve ter, voltarei a falar sobre.
Um padeiro não nasce padeiro, um engenheiro não nasce engenheiro, um jornalista não nasce jornalista e assim por diante. Acredito que as pessoas tendem a escolher profissões que tem a ver com suas personalidades e lapidam, ou seja aprendem uma técnica e por que na atuação seria diferente?
Com sete anos de idade nas aulas de teatro, eu já tinha aprendido que não se deve ''desconstruir'' o personagem antes de sair pela coxia e anos depois trabalhei com PROFISSIONAIS formados que ignoravam essa questão ULTRA relevante, oras, a plateia está vendo o personagem, esse personagem tem um corpo, uma voz e toda uma construção complexa que começa na mente do ator e termina no seu exterior. Como a criatura, vai e vira ''ele mesmo'' antes de sair de cena? Bom, sem querer ser anti-ética com meus colegas de profissão, mas existem profissionais E profissionais, né?
Esse exemplo que acabei de dar pra vocês se chama TÉCNICA(uma das milhões), que é aprendida através do estudo + prática e existem milhões de técnicas diferentes, desde a origem do teatro na Grécia Antiga, aos ''ski''(Stanislavski, Grotowiski e etc...) da vida, ao ''louco'' do Antonin Artaud, ao Teatro Oriental e etc, etc, etc... Técnicas de corpo, de voz e etc, etc e etc... Com o amplo estudo das técnicas o ator vai escolhendo o que funciona mais pra si mesmo.
Hoje em dia atuação tem caído na banalidade do ''NATURAL'', termo equivocado, se você tem um PERSONAGEM, você não é NATURAL, você não é você, o termo correto estaria entre ''VERDADE'' e ''MENTIRA'', lembro de escutar o Tony Ramos dizendo que o bom ator é um bom mentiroso, mas acho que um bom ator é o que se apropria do personagem e consegue dizer tudo com VERDADE. Redundante talvez, talvez as duas formas de pensar cheguem ao mesmo resultado, whatever, o importante é você ser crível e fazer com que as pessoas acreditem no que está dizendo.
Por que estou dizendo tudo isso? Porque assim como o padeiro, o engenheiro e o jornalista precisam aprender sobre suas profissões o ator também. Engana-se quem acha que é só pegar um texto e dizer como bem entender. Além do texto(fala) existe o SUBTEXTO que é o que há por trás desse texto, é possível dizer ''Vai se fuder'' em várias intenções diferentes. Ex: com ira, com deboche, com alegria e etc, etc, etc... Além do SUBTEXTO existe o SOBRETEXTO que é o que você quer causar nas pessoas com esse texto, qual é a necessidade do seu personagem? Qual a função dele na historia? O que ele está querendo dizer pro público?
Atuação não é tão simples como parece e a profissão do ator ainda é muito desvalorizada no Brasil, fora a perguntinha cretina ''Você é ator? Qual novela você fez?''. As pessoas acham que é só talento e NÃO é.
Eu acredito sim que o ator precisa ter características que são determinantes pra ser bom no que faz ou não e voltando a Meryl, saber que o mundo é feito de opostos é a principal característica, pessoas muito rígidas e com uma visão muito limitada da vida jamais serão bons atores. O ator é quase que um psicologo, precisa ter a mente aberta pra conseguir entender seu personagem, precisa saber que o personagem é a personificação do ser humano, com suas atitudes, contrastes, incoerências, escolhas, pontos de vista e tudo isso dentro do universo em que foi colocado. Se ele é vilão ou mocinho vai depender do SOBRETEXTO, lembra? O que teu personagem precisa passar pro público?
O fato é que convivendo tanto com esses personagens acabamos nos apaixonando por eles, nossa, incontáveis a vezes que caí no erro de querer defender, vai parecer esquizofrênico pra quem é leigo no assunto, mas isso pode acontecer porque a gente empresta muito da gente também, há teóricos que são rigidamente contra, ou do contrário segundo Stanislavisk você terá mais dificuldades em interpretar algo que nunca viveu. Não sou 8 nem 80, acho que sim, aprendemos não só com nossas próprias experiências, mas com a experiência dos outros também e tenho certeza que por exemplo consigo sentir a dor de uma ''traição conjugal'' sem mesmo ter sido traída dessa forma, sei o que significa uma traição, aliás sei também que o conceito de traição varia de acordo com os diferentes pontos de vista. Por isso é muito importante você ter como característica a sensibilidade, a empatia ou seja DOM de conseguir se colocar no lugar dos outros sem julgamentos(chorei).
Esse o grande barato dessa brincadeira toda, você vive muitas historias, você aprende muito com tudo isso, você cresce, não só como profissional, mas como ser humano.
Bom, essa é só uma pequenina parte do mundo que eu vivo, e essa loucura maravilhosa que é ser atriz, não tem como resumir em um texto, espero que tenha conseguido passar um pouquinho mais da complexidade que é essa profissão tão bonita, existe há tanto tempo e ainda é tão banalizada. Querem uma dica: Entrem pro Teatro, todo ser humano deveria passar por essa experiência na vida.
Com amor,
Fê.
Um padeiro não nasce padeiro, um engenheiro não nasce engenheiro, um jornalista não nasce jornalista e assim por diante. Acredito que as pessoas tendem a escolher profissões que tem a ver com suas personalidades e lapidam, ou seja aprendem uma técnica e por que na atuação seria diferente?
Com sete anos de idade nas aulas de teatro, eu já tinha aprendido que não se deve ''desconstruir'' o personagem antes de sair pela coxia e anos depois trabalhei com PROFISSIONAIS formados que ignoravam essa questão ULTRA relevante, oras, a plateia está vendo o personagem, esse personagem tem um corpo, uma voz e toda uma construção complexa que começa na mente do ator e termina no seu exterior. Como a criatura, vai e vira ''ele mesmo'' antes de sair de cena? Bom, sem querer ser anti-ética com meus colegas de profissão, mas existem profissionais E profissionais, né?
Esse exemplo que acabei de dar pra vocês se chama TÉCNICA(uma das milhões), que é aprendida através do estudo + prática e existem milhões de técnicas diferentes, desde a origem do teatro na Grécia Antiga, aos ''ski''(Stanislavski, Grotowiski e etc...) da vida, ao ''louco'' do Antonin Artaud, ao Teatro Oriental e etc, etc, etc... Técnicas de corpo, de voz e etc, etc e etc... Com o amplo estudo das técnicas o ator vai escolhendo o que funciona mais pra si mesmo.
Hoje em dia atuação tem caído na banalidade do ''NATURAL'', termo equivocado, se você tem um PERSONAGEM, você não é NATURAL, você não é você, o termo correto estaria entre ''VERDADE'' e ''MENTIRA'', lembro de escutar o Tony Ramos dizendo que o bom ator é um bom mentiroso, mas acho que um bom ator é o que se apropria do personagem e consegue dizer tudo com VERDADE. Redundante talvez, talvez as duas formas de pensar cheguem ao mesmo resultado, whatever, o importante é você ser crível e fazer com que as pessoas acreditem no que está dizendo.
Por que estou dizendo tudo isso? Porque assim como o padeiro, o engenheiro e o jornalista precisam aprender sobre suas profissões o ator também. Engana-se quem acha que é só pegar um texto e dizer como bem entender. Além do texto(fala) existe o SUBTEXTO que é o que há por trás desse texto, é possível dizer ''Vai se fuder'' em várias intenções diferentes. Ex: com ira, com deboche, com alegria e etc, etc, etc... Além do SUBTEXTO existe o SOBRETEXTO que é o que você quer causar nas pessoas com esse texto, qual é a necessidade do seu personagem? Qual a função dele na historia? O que ele está querendo dizer pro público?
Atuação não é tão simples como parece e a profissão do ator ainda é muito desvalorizada no Brasil, fora a perguntinha cretina ''Você é ator? Qual novela você fez?''. As pessoas acham que é só talento e NÃO é.
Eu acredito sim que o ator precisa ter características que são determinantes pra ser bom no que faz ou não e voltando a Meryl, saber que o mundo é feito de opostos é a principal característica, pessoas muito rígidas e com uma visão muito limitada da vida jamais serão bons atores. O ator é quase que um psicologo, precisa ter a mente aberta pra conseguir entender seu personagem, precisa saber que o personagem é a personificação do ser humano, com suas atitudes, contrastes, incoerências, escolhas, pontos de vista e tudo isso dentro do universo em que foi colocado. Se ele é vilão ou mocinho vai depender do SOBRETEXTO, lembra? O que teu personagem precisa passar pro público?
O fato é que convivendo tanto com esses personagens acabamos nos apaixonando por eles, nossa, incontáveis a vezes que caí no erro de querer defender, vai parecer esquizofrênico pra quem é leigo no assunto, mas isso pode acontecer porque a gente empresta muito da gente também, há teóricos que são rigidamente contra, ou do contrário segundo Stanislavisk você terá mais dificuldades em interpretar algo que nunca viveu. Não sou 8 nem 80, acho que sim, aprendemos não só com nossas próprias experiências, mas com a experiência dos outros também e tenho certeza que por exemplo consigo sentir a dor de uma ''traição conjugal'' sem mesmo ter sido traída dessa forma, sei o que significa uma traição, aliás sei também que o conceito de traição varia de acordo com os diferentes pontos de vista. Por isso é muito importante você ter como característica a sensibilidade, a empatia ou seja DOM de conseguir se colocar no lugar dos outros sem julgamentos(chorei).
Esse o grande barato dessa brincadeira toda, você vive muitas historias, você aprende muito com tudo isso, você cresce, não só como profissional, mas como ser humano.
Bom, essa é só uma pequenina parte do mundo que eu vivo, e essa loucura maravilhosa que é ser atriz, não tem como resumir em um texto, espero que tenha conseguido passar um pouquinho mais da complexidade que é essa profissão tão bonita, existe há tanto tempo e ainda é tão banalizada. Querem uma dica: Entrem pro Teatro, todo ser humano deveria passar por essa experiência na vida.
Com amor,
Fê.
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